Metodologia
Sobre o meu tratamento, bom, pra mim só existe um jeito de conter uma paixonite aguda. E qual é? Simples: desenvolver outra.
Existe a paixonite aguda comum, ela tem todos os sintomas que já discorri anteriormente. Mas existem também mais dois tipos de paixonite que vencem a primeira sob muitos aspectos. Um deles é a paixonite crônica, que evolui, toma conta de tudo, asfixia e se transforma em amor. Neste ponto não há mais escapatória e ela não deixará o enfermo com a mesma facilidade e, com certeza, deixará marcas. Como este não é o meu quadro médico, resta-me discorrer sobre o terceiro tipo: a paixonite fictícia.
Considero este o tipo mais tranquilo, contanto que não se tranforme em paixonite aguda fictícia ou, pior, paixonite crônica fictícia. Do que se trata? Bom, algo muito comum: a paixão por um objeto de afeição que não existe. Pode ser um personagem de filme, de livro, um ator, um cantor, uma figura inalcansável cuja personalidade nós bordamos em nossa própria mente como se fosse algo imaculado, perfeito.
Neste caso a paixonite se torna um vício, quase uma obsessão, uma compulsão todas as coisas ligadas ao objeto. Não se consegue esquecer nem por um minuto de suas características, pois, uma vez que ele não existe em nosso mundo, temos que imaginá-lo, então seu mundo passa a ser a nossa cabeça e, assim, seu mundo passa a ser nosso mundo. Confuso, não?
O que tento explicar é que, uma vez que não temos que ver o objeto de afeto ou tocá-lo para acreditar que ele está e ficarmos felizes; a influência dele é muito mais elevada. Pois a qualquer momento, qualquer imagem mental é suficiente para alterar a nossa saúde mental.
E podemos vê-lo quando quisermos e ele fará o que sonharmos. Antes que se perceba estamos vivendo em mundo totalmente irreal e pessoal. E a vida real? Ela não será tão boa quanto os devaneios. E é aí que está a simplicidade e o desafio da paixonite fictícia. Você passa a perder o interesse nas suas atividades diárias, pq o prazer do devaneio é muito mais intenso.
Foi assim que me curei da minha paixonite aguda, desenvolvi um quadro seríssimo de paixonite fictícia. Claro, não largo a minha vida real solta por aí, após anos de experiência com esses ataques de doenças variadas, aprendi a controlar o grau que atinge cada vírus. Mas o fato é: eu amo sonhar. E é realmente uma tentação devastadora deixar meu universo imaginário tomar conta de mim nesses momentos.
Novamente deixarei o mistério no ar. Explicarei mais tarde qual é, exatamente, o alvo de minha idolatria.
Por enquanto, deixem-me sonhar.
Tirei férias. Pode-se dizer assim. Aproveitei o feriado para não pensar em nada relacionado a relacionamentos. Não passei perto do computador. Ignorei a existência da tecnologia. Praticamente. Não 100%, claro.
Sou uma seguidora de Freud. Sim. Não sou formada em psicologia, estudei muito pouco sobre o assunto, sei o mínimo. Mas o mínimo que sei já me basta pra analisar excessivamente a minha vida e de quem convive comigo. Digamos que convivi com Freud por longos anos, fui criada segundo Freud e, bom, alguma coisa dele deve correr nos meus neurônios. As vezes sou conselheira, amiga, carrasca, bandida. Mas a psicologia sempre está lá. Freud é o cara. Louco. Sim. Mas O cara.
Já são 4 dias desde o ocorrido e cá estou, sem expectativas, ansiedade ou caos.
Segunda-feira. Nesses dias sou exatamente como Garfield: odeio segunda-feira… ¬¬’
Expectativa. Todo o meu ser se resume a apenas uma palavra hoje. Expectativa.
Dois posts no mesmo dia? Pois é… Muita coisa aconteceu nesse fds.
Depois disso não preciso muito descrever o que aconteceu. Perfeição. Ele era tão alto quanto eu apreciava, os ombros largos que me faziam sentir protegida e cada palavra que ele pronunciava me trazia uma vontade incomum de soltar risadas cada vez mais naturais.
Agora é quando entramos no assunto “Tagarela”.